Natal, a festa da luz

“O povo que andava nas trevas viu uma grande luz” (Is 9, 1)

No tempo de Jesus, aos sábados pela manhã, as mães hebreias acendiam a lamparina de azeite da casa e pronunciavam a única oração que poderiam recitar em voz alta, um significativo louvor a Deus: “obrigado, Deus, por me dar a possibilidade de acender a luz a esta casa”. Há uma proximidade nessa oração, e talvez tenha nascido dali a expressão “dar à luz”, usada até hoje. Quando nasce, a criança não somente tem a possibilidade de ver a luz do dia, mas ela própria é uma nova luz. Cada criança que nasce é um novo começo, uma possibilidade de encontro com o humano, por vezes esquecido e maltratado.

O profeta Isaías anunciou o nascimento de Jesus como uma grande luz. A própria estrela de Belém foi vista pelos Magos do Oriente como o sinal do nascimento do Filho de Deus. Ela iluminou a todos, mas somente eles foram surpreendidos e a reconheceram. Tiveram fé no que ela anunciava, resolvendo então seguir esse sinal. A mesma luz foi atestada também por Jesus: “Eu sou a luz do mundo, quem me segue não anda nas trevas” (Jo 8, 12) e em outro diálogo afirma: “Vocês são a luz do mundo...” (Mt 5, 14). 

Natal é a festa da luz e a oportunidade de um novo começo, uma nova possibilidade, um novo caminho. É berço de um farol que indica a direção do coração e ao mesmo tempo ilumina horizontes. Caminhar na luz, seguir, contemplar e acender a luz interior nos permite olhar o mundo de maneira diferente, humana, sábia e serena. Luz que transforma nosso jeito de estar no mundo e sensibiliza outras pessoas a encontrar a sua própria. 

Que nossos encontros de família e de amigos, nossas viagens, abraços, sorrisos e descansos estejam impregnados dessa novidade, porque neles o sol nasce, independente se estamos atentos ou não. Mas quem se dá conta de todos esses lindos mistérios vive com mais sentido e serenidade, porque, como afirma Jesus, anda na luz.