Advento, tempo de esperança em um novo mundo

“Esperamos novos céus e uma nova terra,
nos quais habitará a justiça.”

2Pr 3, 13-14

No domingo, 3 de dezembro, iniciou-se o Advento, período das quatro semanas que antecedem o Natal. É tempo de espera, mas também de inquietação. Talvez a frase do livro bíblico de Provérbios 2 justifica a paz inquieta que a pessoa que opta pelo seguimento a Jesus de Nazaré manifesta em relação ao contexto mundial de então: “nos quais habitará a justiça”. Se olharmos ao redor, não precisamos de muito esforço para percebermos situações de injustiça, o que nos leva a concluir que a justiça não é plena e um horizonte ainda distante.

Estamos diante de um aspecto que pode trazer um sentido profético para nossa esperança neste Advento. Temos a possibilidade de analisar a sociedade tendo como critério o Projeto de Jesus, os pontos centrais de sua prática e anúncio, pois foi tendo em vista aquilo que Jesus traria de novidade que as pessoas da Palestina do Seu tempo fundamentaram a sua esperança. Deus conta conosco para construir um novo mundo, onde a Sua justiça seja plena.

Para quem professa a fé em Jesus de Nazaré, o tempo do Advento é uma oportunidade para envolver-se nessa construção. Tal fé é transbordante de perspectiva, de sonho, de proposição, de paz inquieta, de causas humanizantes, de espiritualidade libertadora. Que nosso ânimo seja persistente em permear a vida de esperança. Acreditamos que nosso agir acontece em vista de algo melhor. Nossa espera não é sem esperança, é dinâmica, ativa, vai em busca, faz algo para que as coisas não tão boas sejam melhores. A esperança nascida da fé no Deus de Jesus é potencialmente tensionada a produzir amor, justiça e solidariedade.

E notemos bem: a justiça de Deus não é mera declaração jurídica, pois essa, antes de Jesus, escravizava as pessoas e se configurava como (in)justiça. A justiça de Deus é definida pelos critérios daquilo que Jesus chamou de Reino de Deus ou, “vida em plenitude” (Jo 10, 10). Nossa esperança de fato, neste Advento, está alicerçada na corresponsabilidade em construir um novo mundo – o Reino de Deus.