Voluntária relata sua experiência em Tabatinga

“Fazer missão é comer qualquer coisa, tomar banho em qualquer lugar, dormir quando dá, perder o medo de insetos, parar de se preocupar com o espelho. É entregar-se e acolher todas as consequências. É renovar a fé na Civilização do Amor.” É assim que Brenda Menine define o período em que atuou como voluntária em Tabatinga, no Amazonas. A jovem de 23 anos trabalha na Assessoria de Comunicação e Representação Institucional da Rede Marista, participa da Pastoral Juvenil Marista, é voluntária no Hospital São Lucas da PUCRS e foi acolhida durante um mês na Comunidade Internacional Mista, que é composta por dois Irmãos e duas Leigas. A Comunidade foi inaugurada em 2016.
 

Brenda em atividades com as crianças da região
 
A região na qual a voluntária viveu a experiência missionária é a tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru. Um cenário onde conviver e trabalhar ao lado de pessoas de outras culturas, que falam outras línguas, que possuem hábitos diferentes e são de outras nacionalidades é sentido e vivido com muita naturalidade e leveza. Viver na tríplice fronteira é estar, de alguma forma, predisposto a compreender as diferenças. É estar aberto ao novo, é ser acolhedor nas palavras, é ser simples e doce a cada gesto. Neste cenário desafiador que Brenda reescreveu seu projeto de vida. A voluntária destaca que “A gente ganha uma nova visão dos objetivos de vida, uma nova perspectiva do futuro, uma nova forma de viver as bênçãos de Deus. A gente entende que existe uma responsabilidade como cidadão e cristão muito mais abrangente do que imaginávamos”.
 
Segundo a jovem, a rotina de voluntariado em um local como Tabatinga é justamente a ausência de rotina. “A gente sempre podia esperar um dia diferente do outro. Algo inesperado certamente iria acontecer. É incrível como a Igreja Católica é referência para população local sendo uma das poucas de convivência social para eles”, relata Brenda. Ela afirma que boa parte das atividades desenvolvidas ao longo do seu voluntariado eram de recreação e evangelização com crianças e jovens. Para isso, ela contava com o apoio da venezuelana, Peggy Vivas, e da argentina, Verónica Rubí, Leigas que fazem parte da Comunidade Internacional. Os momentos de oração pela manhã, a partilha de vida e as visitas às comunidades completaram a rotina.
 
Para Brenda, uma das vivências marcantes foi o quanto o carisma marista é conhecido pela população. “As pessoas sabem a história de Champagnat. Conhecem as músicas maristas. Isso é impressionante e ao mesmo tempo denota o quanto a missão dos Irmãos na Amazônia é efetiva”, comenta.
 
Outra experiência muito significativa para ela foi em Caballo Cocha, no Peru. Brenda acompanhou missionários franciscanos por seis dias. Afirma que “Foi o período mais intenso da minha vida, pela convivência com tantas pessoas diferentes, de países latinos, e por ver tantos jovens protagonistas. Lá compreendi o verdadeiro sentido da missão e que as renúncias precisam ser feitas diariamente”.
 

Experiência em Cabalo Cocha
 
Entre tantos aprendizados oriundos do voluntariado, Brenda ressalta a importância da preservação ambiental. “Aqui tudo parece distante da gente, mas lá é realidade. Se o rio é poluído, não tem peixe e não tem alimento. O impacto da degradação da natureza lá, para a população, é muito grande”, explica.
 
Brenda retornou ao trabalho no início do mês, mas antes de voltar a Porto Alegre se aventurou em uma viagem de barco por três dias, de Tabatinga até Manaus. “Eram 350 pessoas no barco. Achei impressionante como nos tornamos todos amigos íntimos, confiáveis, uns ajudando aos outros, compartilhando responsabilidades. Cuidamos das malas, que viajam soltas no meio das pessoas e redes, quando o vizinho saía; avisávamos sobre as refeições; jogávamos dominó e cantávamos músicas”, descreve.
 

Viagem de Tabatinga a Manaus
 
Novos planos
 
Depois de uma experiência tão expressiva, Brenda já planeja novas experiências de voluntariado. “Eu queria ir pra África, mas para ficar mais que um mês. Ainda não sei o que vou fazer. Porém, o que é certo é que minha vida tem outro sentido agora e sei que tenho muito a contribuir com o mundo”, projeta. 
 
“Eu não quero apenas guardar uma coleção de memórias, eu quero compartilhar cada percepção, cada momento que eu vi, ouvi, vivi e senti. A missão pode ser onde estamos. Mas também pode ser do outro lado do mundo. O lugar é com Deus. A nossa parte é ter o coração pronto para seguir o seu chamado, afinal, é preciso conhecer para amar. Minha missão pela Amazônia só começou.”
 
Programa Voluntariado Marista
 
O Voluntariado Marista oferece possibilidade de atuação nos espaços que compreendem a área de abrangência da Rede Marista (Rio Grande do Sul, Brasília e Região Amazônica), e em outros espaços de missão marista no Brasil e no exterior.
 
Nos meses de janeiro e fevereiro a Rede Marista recebeu voluntários/as do Chile e da Alemanha. Além de acolher intercambistas de outros países, a instituição enviou pessoas à missão. A Região Amazônica foi o destino de três voluntários/as. Outra missionária optou por desenvolver seu trabalho na Guatemala, onde o Instituto Marista é presença por meio da Província Marista América Central. Clique aqui para conhecer os/as voluntários/as.
 
Tem interesse em ser voluntário? Entre em contato com a Coordenação de Pastoral da Rede Marista através do e-mail: voluntariado@maristas.org.br. Se estiver vinculado a alguma Unidade da Rede Marista, procure pelo responsável pelo setor de Pastoral.

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